A Importância da Relação de Confiança Estabelecida no Processo Terapêutico
- elissoares

- 2 de jan.
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Atualizado: 18 de jan.
Nas relações profissionais que envolvem a oferta do cuidado de maneira geral, seja por meio de serviços médicos, odontológicos, estéticos ou de qualquer outra espécie, é bastante importante que o profissional envolvido nos inspire confiança. Quando recorremos a um fisioterapeuta ou nutricionista que nos transmite confiabilidade e comprometimento, isso com certeza contribuirá para que sigamos o tratamento da melhor forma possível, já que encontramos sentido no trabalho até então conduzido.

Na relação terapêutica entre analista e paciente, que desenvolverão um acompanhamento mais frequente, trabalhando aspectos pessoais da vida do indivíduo, a relação de confiança como base desse processo é algo ainda mais fundamental.
Para analisar mais profundamente essa questão, é interessante considerar que cada dupla terapeuta-paciente produz um par analítico singular e diferente de todos os outros. Isso se deve ao fato de que cada pessoa evoca a cada indivíduo impressões e sensações diferentes, de acordo com o encontro dos conteúdos inconscientes internos e externos de cada componente da dupla, da mesma forma que também despertamos um conjunto diferente de impressões e sensações em diferentes pessoas. Em vista disso, um terapeuta que para um paciente pode transmitir a impressão de ser rígido e muito direto, para um outro indivíduo pode parecer uma pessoa extremamente clara e objetiva. Um profissional que é sentido como bastante acolhedor por um dado paciente, por outro pode ser sentido como condescendente e com falta de postura crítica.
Dado esse cenário, se o terapeuta A faz com que o paciente B se sinta por vezes receoso ou desconfortável, seja por imperícia técnica, por inadequação daquela abordagem àquele indivíduo, ou mesmo devido ao fato de o conjunto de impressões e sensações que transmitem um ao outro – consciente e inconscientemente – resultar numa combinação desfavorável para que aquele trabalho terapêutico aconteça, será bastante difícil para o paciente no contexto daquela dupla sentir gradualmente a confiança necessária para se abrir mais amplamente ao processo.
Quando há dificuldades no acompanhamento terapêutico, é importante observar se trata-se de um desconforto pontual, já que é comum que desconfortos e desencontros venham à tona e até façam parte do processo, quando lidamos com emoções difíceis. No entanto, se o desconforto com a figura do terapeuta for uma constante, pode ser necessário considerar outras possibilidades.
É possível que você até mesmo encontre sua maneira de endereçar essa questão nas sessões. Em alguns casos, verbalizar seu desconforto pode ser importante para sua progressão terapêutica, pois algumas vezes isso pode estar relacionado com dinâmicas fundamentais entre você e o entorno que, quando bem manejadas pelo terapeuta, podem trazer descobertas muito significativas para o seu processo, mesmo que você decida interrompê-lo.
Pode acontecer também que você sinta a necessidade de seguir sua jornada através da escuta de um outro profissional. A caminhada de aprendizado emocional, uma vez iniciada, pode continuar a se desdobrar a partir de outra escuta quando sentimos a necessidade de iniciar um novo vínculo, já que um processo terapêutico nunca é igual a outro. Se você sente que continua precisando de suporte, é importante que não desista de encontrar um processo adequado para você por conta de eventuais experiências negativas anteriores, já que o próprio ato de viver nos requer uma boa dose de persistência atravessando tentativas com maiores ou menores sucessos e insucessos.
Dessa forma, é interessante que o paciente possa se observar em diferentes fases do cuidado terapêutico sobre como vem se sentindo nas sessões. Vem sendo construída gradualmente a relação de confiança e a possibilidade de estar confortável para falar? Existe ainda um desejo de estar neste processo, apesar dos momentos de resistência natural, que fazem parte de uma terapia? Questões como essas podem nos auxiliar e nortear nas fases iniciais de um novo tratamento ou mesmo quando temos dúvidas sobre a necessidade de recalcular as rotas terapêuticas com a possibilidade de um novo acompanhamento.



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